Pâncreas

O pâncreas é um órgão com duas funções: uma função endócrina que faz parte da endócrinologia e uma função exócrina que segrega o suco pancreático e o lança no tubo digestivo. Esta segunda função faz parte do Aparelho Digestivo e é a que nos interessa. . O pâncreas endócrino segrega hormonas: a insulina, o glucagão que controlam a glicémia e também a somatostatina e o polipéptido pancreático. Estas hormonas são produzidas em ilhéus de células, conhecidos por Ilhéus de Langerhans, que correspondem 2% do pâncreas. Paul Langerhans nasceu em Berlim em 1847 e faleceu no Funchal em 1888. Ensinou anatomia patológica na universidade de Freiburg. Em 1874 contraiu tuberculose. Na procura da cura passou pela Itália, pela Suíça e em 1875 desembarcou no Funchal onde viveu e faleceu em 1888. Quis ficar enterrado na Madeira no cemitério dos ingleses em local por si escolhido. ANATOMIA DO PÂNCREAS O pâncreas tem entre 10 a 15 cm de comprimento e, cruza o abdómen desde a concavidade do duodeno até ao baço, ao nível da 12ª vertebra dorsal (D12) e 1ª lombar (L1). Podemos dividi-lo em 4 partes; cabeça, istmo, corpo e cauda. Este órgão sólido é atravessado pelo colédoco (canal biliar) e por dois canais pancreáticos: o canal de Wirsung (Johann Georg Wirsung, médico alemão, 1600-1643) e o canal de Santorini (G. Santorini médico e anatomista italiano, 1681-1737). O colédoco caminha verticalmente na cabeça do pâncreas levando a bílis do fígado ao duodeno. O canal de Wirsung atravessa o pâncreas horizontalmente drenando a secreção exócrina até ao duodeno. Na porção final o colédoco e o canal de Wirsung juntam-se para formar uma ampola (ampola de Vater). (Abraham Vater, médico alemão, 1684-1751) que abre na segunda porção do duodeno. Esta ampola onde se junta a bílis e a secreção pancreática tem um mecanismo esfíncteriano (esfíncter de Oddi). Roggero Oddi ( médico hitaliano - 1864-1913) descreveu a função do esfíncter que tem o seu nome quando ainda era estudante do 4º ano de medicina) constituído por um esfíncter do colédoco outro do Wirsung e outro comum aos dois canais que regula chegada ao duodeno da bílis e suco pancreático. PÂNCREAS EXÓCRINO O pâncreas exócrino segrega várias substâncias enzimáticas e produtos não enzimáticos fundamentais na digestão e absorção dos alimentos. A secreção é feita nos ácinos e nos canais pancreáticos. As células dos ácinos segregam enzimas não ativadas (proenzimas) e as células dos canais segregam água e bicarbonato. Produtos não enzimáticos Enzimas Onde actuam Pâncreas Líquido pancreático, bicarbonato amilase hidratos de carbono lipase gorduras trpsinogénio, quimotripinogenio e elastase proteínas nucleases ácidos nucleicos QUAIS AS DOENÇAS DO PÂNCREAS? A pancreatite aguda, a doença mais frequente do pâncreas, pode ter múltiplas causas mas as causas mais frequentes desta inflamação são os cálculos biliares e o álcool. A pancreatite crónica é geralmente causada pelo álcool e leva a uma substituição do tecido pancreático por tecido fibroso causando uma insuficiência do pâncreas. A fibrose quística ou mucoviscidose é uma doença genética. O cancro do pâncreas é felizmente raro. COMO SE MANIFESTAM AS DOENÇAS DO PÂNCREAS? A dor abdominal é o sintoma mais frequente das doenças do pâncreas. A dor localiza-se na região periumbilical e tem a particularidade de aumentar na posição de deitado e alivia se nos sentarmos. A insuficiência pancreática causando diarreia acontece na pancreatite crónica e mucoviscidose, a diabetes pode ser também uma consequência dessa insuficiência. A icterícia aparece quando há compressão do colédoco por um cancro localizado na cabeça do pâncreas. A amilase e a lípase atinge valores elevados na pancreatite aguda em resultado da destruição da células dos ácinos que lançam as enzimas na corrente sanguínea. COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS DO PÂNCREAS? A amilase e lípase do soro são as pesquisa de laboratório mais requisitadas. Há técnicas de estimulação pancreática mas são pouco utilizadas As técnicas de imagem podem ser úteis: ultrassonografia, TAC, CPRE e RM