A maior parte das doenças crónicas do fígado provocam lesões que levam à cirrose, um processo caracterizado pela formação de fibrose e de nódulos que alteram a arquitectura do órgão. Os septos fibrosos separam os nódulos que podem variar de 3 mm a 3 cm de diâmetro. QUAIS AS CAUSAS DA CIRROSE? Em Portugal as duas principais causas de Cirrose do Fígado são o álcool e o vírus da Hepatite C. Álcool - é a causa mais frequente de cirrose em Portugal: o álcool e o vírus da Hepatite C são responsáveis por 70-80% das cirroses no nosso país. Hepatite - B e C -. Em Portugal a número de cirroses causadas pela Hepatite C Crónica é muito superior ao número de cirroses causadas por Hepatite B Crónica (a Hepatite Crónica B é pouco frequente em Portugal). Fígado gordo não alcoólico - Hepatite auto-imune: inflamação de causa desconhecida em que os anticorpos agridem as células do fígado como se fossem proteínas estranhas ou bactérias. Obstrução biliar: quer relacionada com situações congénitas (atrésia biliar), hereditárias (doença de Alagile), imunológicas (cirrose biliar primária) ou de causa desconhecida (colangite esclerosante primária). Doença de Wilson: acumulação anormal de cobre no fígado. Hemocromatose: acumulação anormal de ferro no fígado, deficiência de alfa1-antitripsina. Fármacos e tóxicos: vários medicamentos e tóxicos podem causar hepatite e cirrose. Causas vasculares: síndrome de Budd-Chiari (trombose das veias hepáticas e supra-hepáticas) etc. Criptogénica: em cerca de 10 % dos casos por mais exaustiva que seja a investigação não é possível encontrar uma causa para a cirrose COMO SE MANIFESTA A CIRROSE? A cirrose pode demorar anos a manifestar-se e, durante anos, os sintomas podem não ir além de fadiga, falta de força e perda de apetite. Com frequência a cirrose é uma descoberta feita, por acaso, num exame médico ou análises de rotina. Quando a cirrose está plenamente desenvolvida pode apresentar vários sinais: Hepatomegália - significa aumento do tamanho do fígado. Icterícia - as alterações provocadas no fígado pela cirrose ( fibrose, formação de nódulos ) impedem a bilirrubina* de atravessar o fígado e atingir o intestino. O aumento da bilirrubina no sangue torna a pele e a branca do olho, amarelas - icterícia - e a urina escura. Retenção de água nas pernas (edema) e abdómen (ascite) - o fígado produz uma proteína, a albumina, que retém a água nos vasos sanguíneos. O fígado com cirrose é incapaz de produzir albumina e esta ao diminuir no sangue permite que a água dos vasos sanguíneos se escapa-se e infiltre os tecidos das pernas causando edema e se acumule na cavidade abdominal causando ascite ( barriga de água ). Varizes esofágicas: o fluxo sanguíneo que vem do intestino através da veia porta, atinge o fígado e, depois de o atravessar, sai pelas veias hepáticas para atingir a veia cava superior e o coração. A estrutura do fígado desorganizada pela fibrose e pelos nódulos do fígado cirrótico, faz uma barragem à passagem do sangue, aumentado a tensão na veia porta. O sangue sob tensão, na veia porta, tenta através de curto- circuitos ( bypass ) colaterais atingir o coração. Esses vasos colaterais do estômago e do esófago formam varizes. Essas varizes, sobretudo as do esófago, podem dar origem a hemorragia grave. Encefalopatia: manifesta-se por alterações neurológicas que, podem ir de pequenas alterações do comportamento até à confusão mental e coma. COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO DA CIRROSE? Como ficou dito, a suspeita da doença nasce muitas vezes durante um exame médico ou de exames auxiliares laboratoriais de rotina Os teste da função hepática permitem determinar a actividade das enzimas do fígado que na cirrose estão geralmente alteradas. A ecografia mostra o aspecto nodular do fígado. Também a TAC e RM evidenciam a nodularidade. A biopsia do fígado que consiste na colheita duma pequena porção do fígado para posterior análise microscópica por um médico especializado serve para confirmar o diagnóstico. Outras vezes, o doente vai pela primeira vez ao médico porque nota o aumento de volume do abdómen, causado pela ascite, ou tem que se dirigir à Urgência do Hospital porque vomitou sangue e a endoscopia alta mostra as varizes do esófago. COMO SE TRATA A CIRROSE DO FÍGADO? É importante travar o processo evolutivo da cirrose. A abstenção de álcool e uma dieta variada, sem carências é muito, muito importante mesmo nas cirroses que não foram causadas pelo álcool. O fármacos chamados hepatoprotectores para evitar a evolução da cirrose nenhum até hoje provou que diminui a mortalidade. Tomar um medicamento sem que haja qualquer evidência da sua eficácia é um engano que o doente deve querer evitar. O tratamento das complicações (ascite, hemorragia, encefalopatia etc.) é muito importante e com frequência exige internamento hospitalar. O transplante hepático tem indicação em alguns casos. Assuntos relacionados: Álcool Hepatites Icterícia Ascite Na Internet pode consultar: Cirrose do fígado no sítio brasileiro ABC da Saúde Cirrose do fígado em inglês no NIH
Cirrose alcoólica:volumosa ascite e ginecomastia
Varizes do esófago num doente com cirrose alcoólica.